Terça-feira, 22 de Abril de 2008

O lobo do Homem

Texto interessante, de mais de um ano atrás...
Como nossa existência pôde se tornar tão nociva? Tantas vezes já vi desenhos do planeta como um balde de lixo, doente com a forma como o tratamos. É estranho pensar como nosso fim seria benéfico...

Esta já não é a primeira vez que se coloca a hipótese do desaparecimento do Homem, considerada de tempos em tempos como resultado de uma guerra mundial, de um desastre nuclear ou até mesmo como consequência de um vírus mortífero. Sem se preocupar em estabelecer uma causa, a revista britânica ‘New Scientist’ arriscou descrever minuciosamente o eventual desaparecimento do Homem. Para concluir que, por exemplo, em cem mil anos a presença humana na Terra estaria reduzida a ruínas arqueológicas.

As consequências da ausência do Homem na Terra começariam, contudo, muito antes, ou seja, imediatamente a seguir ao desaparecimento da espécie humana, com outras 15 mil espécies de animais, que hoje se encontram em vias de extinção, a conhecerem as portas da salvação. A partir daí as mudanças ocorreriam em catadupa.

Para imaginar o que seria da Terra 24 horas depois do adeus à raça humana, o exercício é simples. Basta que cada um de nós vista a pele de Tom Cruise no papel de David em ‘Vanilla Sky’ e depois tentar viver aquilo que o actor sentiu quando confrontado com uma Nova Iorque que nunca pára, sem pessoas, nem vozes, nem buzinadelas. O cenário é, no mínimo, estranho, mas não existe apenas nas fantasias do realizador do filme, Cameron Crowe. A Terra sem mão humana seria exactamente como o cineasta imaginou – sem poluição sonora. Quarenta e oito horas a seguir, as centrais eléctricas entravam em ‘blackout’, e as luzes sumiam-se, como a daquele semáforo para o qual David olha de esguelha enquanto espera e desespera por um sinal de vida.

As alterações seguiam-se ao fim de três meses com a diminuição da poluição atmosférica. Dez anos depois, dava-se o desaparecimento do metano da atmosfera. Após vinte anos, a natureza recuperava as estradas rurais e aldeias e, em 50 anos, os mares e oceanos seriam repovoados de peixes, enquanto os rios e lagos ficariam livres de nitratos e fosfatos. Em 100 anos, a vegetação tomaria conta das estradas urbanas e das cidades, inclusive das grandes metrópoles. E um século depois, seria de esperar o colapso de tudo quanto fossem estruturas de ferro e pontes.

O próximo milénio, ou seja a partir de 3007, ficaria marcado pelo desaparecimento da maioria das construções de pedra e tijolo, mas também pelo facto de a atmosfera voltar a reencontrar os níveis de dióxido de carbono existentes na época que antecedeu à revolução industrial.

Um salto no tempo e chegamos ao ano 52007, daqui a 50 mil anos, altura em que, na melhor das hipóteses, restariam apenas ruínas arqueológicas para testemunhar a passagem do Homem na Terra.

Já os estragos devidos à mão da raça humana, esses demorariam um pouco mais a desaparecer: os resíduos químicos demorariam 200 mil anos e as escórias universais cerca de 2 milhões de anos.

A relativa rapidez com que a natureza tornava a florescer mal o Homem virasse costas é curiosa. E não há muito tempo, Chernobyl deu-nos uma prova disso. Depois de ter sido salvo de um dos maiores acidentes nucleares de todos os tempos, a 26 de Abril de 1986, a então próspera cidade da ex-União Soviética, hoje Ucrânia, transformou-se a certa altura em espaço ecológico, apesar de ser uma das áreas mais contaminadas do Mundo. Todas as pessoas foram evacuadas há 20 anos, mas deixaram para trás animais que, entretanto, multiplicaram-se. Espécies que não eram vistas há décadas, como o lince e a coruja gigante, reapareceram. E até mesmo surpreendentes pegadas de ursos, animais que não eram vistos na Ucrânia há vários séculos, foram encontradas na região.

É caso para dizer que a natureza tem uma capacidade de resistência impressionante.


Link original:

http://antek.wordpress.com/2007/01/08/extincao-como-seria-a-terra-sem-humanos/

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